01. Tacacá – Baião (Luiz Gonzaga – Lourival Passos)
02. Vassouras – Xote (Luiz Gonzaga – David Nasser)
03. Aboio apaixonado – Aboio (Luiz Gonzaga)
04. Chorão – Chorão (Luiz Gonzaga)
05. Braia dengosa – Maracatu (Luiz Gonzaga – Zédantas)
06. O chêro da Carolina – Xote (Zé Gonzaga – Amorim Roxo)
07. Derramaro gai – Côco (Luiz Gonzaga – Zédantas)
08. Tesouro e meio – Baião (Luiz Gonzaga).
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LUIZ GONZAGA – HISTÓRIA DO
NORDESTE [1955]
Luiz Gonzaga - A História do Nordeste [1955]
01. Paraíba (Humberto Teixeira - Luiz Gonzaga)
02. Respeita Januário (Luiz Gonzaga - Humberto Teixeira)
03. Saudade De Pernambuco (Sebastião Rosendo - Salvador Miceli)
04. O Xote Das Meninas (Zédantas - Luiz Gonzaga)
05. O ABC Do Sertão (Zédantas - Luiz Gonzaga)
06. Acauã (Zédantas)
07. Algodão (Zédantas - Luiz Gonzaga)
08. Asa Branca (Luiz Gonzaga - Humberto Teixeira).
Luiz Gonzaga
Luiz Gonzaga do Nascimento
13/12/1912 Exu, PE
2/8/1989 Recife, PE
Dados Artísticos
Em 1940, no Rio de Janeiro, depois de algum tempo tocando em bares no Mangue e, em seguida, na Lapa, começou a freqüentar os programas de calouros "Calouros em desfile" de Ary Barroso na Rádio Tupi e "Papel carbono" de Renato Murce, na Rádio Clube. O sucesso nos programas de calouros entretanto não chegava e Gonzaga continuou a apresentar-se nos bares do Mangue e da Lapa. No Bar Cidade Nova, no Mangue, conheceu um grupo de estudantes cearenses que lhe pediu para tocar alguma coisa nordestina, o que ele até então não fizera, tentando adaptar-se ao modo de vida carioca e escondendo suas raizes nordestinas. Preparou então as músicas "Pé de serra", uma polca mais tarde gravada com o título de "Xamego", e "Vira e mexe", música de sua terra natal. O sucesso da apresentação de "Pé de serra" foi imediato: o público aplaudiu delirantemente e até mesmo os passantes da rua se aproximaram, lotando o bar. Retornou então ao programa de calouros de Ary Barroso, impulsionado também pela necessidade de dinheiro para ajudar a família vitimada pela seca no Nordeste, conforme lhe dissera o irmão José Januário, que o procurara em busca de ajuda. No "Calouros em desfile", em vez de apresentar o repertório da moda, apresentou o "Vira e mexe" e foi um sucesso, obtendo a nota máxima 5, raramente dada a alguém por Ary Barroso, e o prêmio de 150 mil réis. Por essa época costumava atuar na Rádio Transmissora acompanhando Zé do Norte e Manuel Monteiro, que por lá se apresentavam. Pouco depois foi convidado para atuar como sanfoneiro numa gravação de Genésio Arruda na RCA. Sua participação foi tão boa que logo após a gravação foi apresentado ao diretor da gravadora, Ernesto Matos, que lhe pediu para tocar uma valsa ou uma rancheira. Gonzaga tocou as valsas "Saudades de São João Del Rey" e "Numa serenata", apresentando em seguida as rancheiras "Véspera de São João", "Vira e mexe" e "Pé de serra". Foi convidado a voltar no dia seguinte para fazer uma gravação. No mesmo dia, Genésio Arruda convidou-o para apresentar-se diariamente no teatro de revista no qual estava atuando. Ainda em 1940 foi contratado pela Rádio Clube do Brasil para substituir Antenógenes Silva no programa "Alma do sertão", além de atuar em outros programas da rádio. Paralelamente apresentava-se com enorme sucesso em inúmeros dancings no centro da cidade, como "Assírio", "Eldorado", "Belas Artes" e "Farolito". Em 1941 estreou em disco gravando pela Victor, gravadora na qual permaneceu a maior parte de sua carreira. Em maio saiu a mazurca "Véspera de São João", de sua autoria e F. Reis, e a valsa "Numa serenata", de sua autoria. Em junho saiu um segundo disco com a valsa "Saudades de São João del Rey", de Simão Jandi, e o xamego "Vira e mexe", de sua autoria. Ressalte-se que o xamego nunca existiu enquanto gênero musical; o nome provém de um comentário do irmão de Gonzaga, Januário, segundo o qual a música "Vira e mexe" era um xamego, talvez em referência à sensualidade com que era tocada. Gonzaga apropriou-se do termo e muitas de suas composições passaram a ser apresentadas como xamego. Por essa época suas músicas eram instrumentais. As letras apareceram com Miguel Lima, que começou a letrar temas apresentados por Gonzaga. No entanto, seu início como cantor acabou por custar-lhe o emprego na Rádio Tamoio, pois achavam sua voz inadequada. Por essa época foi considerado pelo jovem radialista César de Alencar como o "Maior Sanfoneiro Nordestino". Os dois primeiros discos renderam a Gonzaga sua primeira reportagem, publicada na revista carioca "Vitrine", com o título de "Luiz Gonzaga, o virtuoso do acordeom". Em 1942 gravou, entre outras composições, o xamego "Pé de serra", a polca "Apitando na curva", o picadinho "Calangotango" e a mazurca "Sant'Anna", todas de sua autoria. Em 1943 assinou o primeiro contrato para atuar fora do Rio de Janeiro, fazendo uma temporada no Cassino Ahu, em Curitiba, apresentado como o maior acordeonista do Brasil. No mesmo ano gravou, do antigo companheiro Xavier Pinheiro, a valsa "Yvonne" e, de sua autoria, o xamego "O xamego da Guiomar", nome de uma namorada da época. Por essa época ganhou do violonista Dino, mais tarde conhecido como "Sete cordas", o apelido de "Lua", devido a sua cara redonda. O apelido seria popularizado por César de Alencar e Paulo Gracindo na Rádio Nacional. Em 1944 teve suas primeiras composições gravadas por outra artista, a cantora Carmem Costa, que gravou "Xamego", de sua autoria, e "A mulher do Lino", composta em parceria com Miguel Lima. No mesmo ano gravou, entre outras,o choro "Pingo namorando", o xamego "Fazendo intriga" e a valsa "Vanda", todas de sua autoria. Em 1945 teve gravadas suas primeiras parcerias com Miguel Lima, "Dezessete e setecentos" e o xamego "Xamego da Guiomar", por Manezinho Araújo. No mesmo ano, Gonzaga gravou os primeiros discos como cantor. O primeiro continha a mazurca "Dança da Mariquinha", com música de sua autoria e letra de Miguel Lima. Seu primeiro sucesso como cantor foi a mazurca "Cortando pano", composta em parceria com Miguel Lima e J. Portella, que afirmou Gonzaga como cantor. Sua voz na época não era considerada boa, mas, com o sucesso de "Cortando o pano", os critérios tiveram que ser modificados. No mesmo ano nasceu Luiz Gonzaga Jr., que, apesar de batizado e assumido por Gonzaga como filho, sempre teve essa paternidade colocada sob suspeita. Ainda em 1945 conheceu aquele que seria talvez o seu principal parceiro musical, o advogado cearense Humberto Teixeira.